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Criptomoedas, Cryptocurrency, Investimento

Criptomoedas e o mercado mundial de investimentos

Para os que não acompanham de perto, é normal ignorar os 240 bilhões de dólares de capitalização do mercado de criptomoedas. O fato é que esse montante só existe porque investidores, do mundo todo, enxergam nas criptos ativos de investimento.
Se pararmos pra pensar, vamos perceber que há muitos terrenos, imóveis residenciais, galpões, fazendas, shoppings e torres comerciais que funcionam exclusivamente como investimento. São bens adquiridos por investidores para obter alguma renda, seja através da locação ou expectativa de valorização.
Existem outros investimentos mais óbvios como títulos de dívida, jóias, dinheiro fiduciário das grandes potências, ações de empresas, e derivativos: contratos de petróleo negociados em bolsas de valores, por exemplo.
Afinal de contas, o Bitcoin e as criptomoedas se inserem neste contexto? Só há espaço para crescimento competindo com o ouro? Poderia servir na formação de reservas internacionais?
Se abrirmos os livros de economia não encontraremos dólares, euros ou ouro mencionados como investimento. Na visão destes autores, o fato de não haver alguma perspectiva de renda ou crescimento, desqualifica até os terrenos como classe de investimento.
Na contramão, ações de empresas são capazes de pagar dividendos ou, no mínimo, valorizar através da atividade fim do negócio. Outro exemplo seria títulos de dívida, que pagam juros, assim como imóveis comerciais, que geram receita de aluguel.
Desde a criação do Bitcoin, existe este debate entre Reserva de Valor e Meio de Troca. O ouro não é utilizado no dia-a-dia em transações, sejam elas de pequeno ou alto valor. Não é possível comprar um imóvel utilizando ouro como forma de pagamento, ao menos não diretamente.
Em países onde a inflação continua assombrando, mesmo que em taxas “comportadas” como 4% ao ano, não é razoável utilizar moeda fiduciária como Reserva da Valor. A única forma de evitar a desvalorização é buscar algum tipo de risco, mesmo que na Renda Fixa.
Tenha em mente que uma inflação de 4% ao ano totaliza 32% de perda no poder de compra ao longo de dez anos. Pra piorar a situação, mesmo que este investidor consiga, através de suas aplicações, superar esta barreira da inflação, ele corre o risco de uma desvalorização frente ao dólar e demais moedas mais fortes.
É por este motivo que os investidores recorrem aos imóveis, ouro e moedas mais fortes como Reserva de Valor. Por mais que não exista nenhuma expectativa de valorização ou de dividendos, só o fato de apresentar uma inflação equivalente abaixo da moeda local é positivo.
Criptomoedas
Embora o Bitcoin tenha onze anos de existência, o mercado só passou a ganhar escala a partir de 2015. A grande verdade é que mesmo que seja de interesse dos grandes fundos de investimento e administradores de fortunas alocar parte dos recursos em criptomoedas, hoje não há liquidez suficiente.
Acredite se quiser, existem mercados ainda maiores que estes acima. Os imóveis, terrenos e similares totalizam mais de 220 trilhões de dólares. Já os contratos de derivativos, que incluem pacotes de financiamento imobiliário, aqueles responsáveis pela crise de 2008, ultrapassam os 700 trilhões.
Coloque-se no lugar de um desses gestores, responsáveis por administrar trilhões. Por mais que você se beneficie montando uma posição, digamos, de 10 bilhões em criptomoedas, isto não totaliza nem 0,5% da carteira.
Sem contar que seria praticamente impossível realizar uma compra deste tamanho. Mesmo pagando um valor 20% mais alto dia após dia, em algum momento os vendedores começaram a exigir valores cada vez mais altos para se desfazer de parte da posição.
Outras
Conforme mencionamos anteriormente, não há uma resposta única para o uso do Bitcoin como Reserva de Valor, a tese do “ouro digital”, ou Meio de Troca. Neste segundo caso estaria competindo por espaço nas remessas internacionais, Reserva dos Bancos Centrais ou até mesmo nos micro-pagamentos via segunda camada – a exemplo do que já ocorre na Lighting Network.
Não sabemos como será o avanço da tecnologia que permite a utilização de criptomoedas em contratos inteligentes, os smart contracts. É possível que a vasta maioria das transações ocorra em outras moedas via trocas atômicas – atomic swaps – na qual o Bitcoin funciona apenas como uma camada final de liquidação.
Tentar afirmar qual o caminho mais provável para uma maior adoção do Bitcoin e criptomoedas mostrou-se uma tarefa ingrata na última década, e muito provavelmente continuará algo com muita incerteza.
No entanto, as deficiências do sistema fiduciário, do próprio ouro físico e riscos inerentes à investimentos em imóveis e ações de empresas, nos leva a crer que o futuro de uma criptomoeda como o Bitcoin é bem menos arriscado quando comparamos com três ou cinco anos atrás.
Por esse motivo, outros ativos digitais disputam espaço no mercado na tentativa de diversificar as opções aos investidores e dar mais consistência para um mercado, que apesar dos avanços dos últimos anos, ainda tem muitos desafios pela frente.

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